A casa da minha Vó Rosa
17/02/2021
— Vamos para Big Beach? — sussurra meu pai, para minha mãe, com a ingênua intenção de que minha irmã e eu não escutemos.
Sussurro em vão. A euforia e a alegria, imediatamente, contagiam o corpo e a alma e, a imensa vontade de pular e rir, toma o lugar do tédio de uma sexta-feira à noite.
Pegamos a estrada, que é subdividida em pedágio, os treze túneis, contados um por um, ponte do Mar Pequeno e, chegamos!
A atmosfera vai se transformando e o mormaço praiano, chinelos, bermudas e biquínis, encobrem o frio, cinzento e engravatado clima paulistano.
Chegar na casa da minha vó Rosa é sempre uma surpresa.
Se ela não mudou os móveis da sala de lugar, ela mudou os do quarto, ou pintou uma parede, ou comprou um sofá novo.
As portas estão sempre abertas, dando boas-vindas aos que vem tomar um café, quente e fresco, na Invicta vermelha e branca.
Em cima do fogão, um paparico espera para ser abocanhado. Bolinho de arroz, bolinho de chuva ou, o melhor doce de banana que minhas papilas gustativas puderam experimentar.
Enquanto descarregamos o carro, meus primos e amigos vão pipocando no portão — a rua nos espera.
A casa da minha vó Rosa, é o ninho dos meus maiores sonhos de criança, dos meus grandes amores platônicos, das minhas sangrentas brigas na rua, das minhas mais francas gargalhadas, dos meus inesquecíveis aprendizados, dos mais acolhedores e memoráveis momentos em família.
A casa da minha avó Rosa é alegria, saudade, liberdade, nutrição.
